PequeNa Cabeça

Um pouco de tudo partindo do nada.


Resposta à carta número cinco à um amor qualquer

Às vezes eu me sinto o caos. Desde que você passou por aqui, eu ia pegando aqueles impostos de carteiras de cigarro: primeiro eram pra você… depois, com o tempo, decidi que seriam pra mim, que eu mesmo faria alguma coisa imprevisível com eles. “Não me pergunte pra que”, foi o que você aconselhou. E eu não perguntei, só continuei pegando os impostos sem saber pra que, sem nem pensar mais em você. Aí quando foi se aproximando o dia da formatura eu me lembrei… Eram pra você e sempre tinham sido, mesmo quando eu não lembrava mais… Quer dizer: mesmo quando eu não lembrava de você, eu tinha um jeito de continuar lembrando.
 
Confuso?
 
Me sinto o caos. Acho que passei a noite inteira da formatura olhando pra você e perguntando: e agora?… E agora, Peque, pra onde a gente vai? Eu te queria perto e eu te queria livre, queria que você fosse minha e que você fosse só tua e soubesse pra onde ir. Eu iria com você. E eu fui, na verdade, mesmo que eu não goste muito de dançar em público. Mas também dancei e também foi libertador. Lembro também de cada toque, de cada olhar. Lembro que eu também queria passar a noite com você, e lembro, embora talvez eu esteja enganado, de ter dito pra você que eu iria falar com você sim. Mas não sei, talvez eu tenha só pensado com muita força e esquecido de falar, porque era bom estar ali com você, mesmo que aquela fosse uma despedida.
 
Eu te amo, Peque, e gostaria muito que você se sentisse amada, de verdade. Eu me sinto amado por você e adoro cada carta, cada mensagem que você me manda. E tudo isso é meloso como um drama romântico, eu sei, mas é bom, me faz bem e eu gostaria que pudesse te fazer bem também…
 
Não posso ser inteiro teu.
 
Mas estou aqui, e gosto de saber que você está aí também, em algum lugar, inteira e só tua.
 
Posso falar assim?

Põe tua mão aqui. É o mais perto que podemos chegar um do outro por enquanto.

Põe tua mão aqui. É o mais perto que podemos chegar um do outro por enquanto.

Carta número cinco a um amor qualquer

Estou eu, depois de dois anos, escrevendo-te de novo, gastando minha energia só pra dizer que ainda não consegui te esquecer.
Tudo começou (ou, no caso, só continuou) ontem, quando te vi, no momento mais feliz da minha vida, até agora, algo despontou no meu peito: não era nervosismo, nem excitação, mas um sentimento absurdo de impotência, proibição. Eu queria te beijar, dizer como eu estava feliz em tê-lo ali, dizer que te amava, dizer antes que fosse tarde, mas não consegui, a vergonha e o receio me impediram e me emudeceram como se fossem palpáveis.
Você então me cumprimentou, me abraçou, um abraço mais longo do que qualquer outro que dei naquela noite, isso só me confundiu ainda mais, o que aquilo queria dizer?
A dúvida é pior que a rejeição, a esta já me acostumei.
Eu fugi, por um bom tempo eu fugi de olhar pra você, de lembrar que você não correspondia, que era um sentimento que só partia de mim, mas no fim, não pude evitar de esbarrar com você em alguns momentos, afinal, aquela danceteria não é grande, e eu só percebia o quanto ficava lindo sob a luz estroboscópica, ao mesmo tempo que meu ego e orgulho, ainda que mais fracos, tentavam me puxar para longe.
Mas então, num destes encontros, não sei dizer porquê, eu parei de frente pra você e te encarei nos olhos, pela primeira vez em meses, e você me olhou de volta… e me beijou.
No turbilhão de emoções que me dominaram, estavam a incerteza, a incredulidade, a excitação, e bem no fundo, a dúvida, outra vez, “o que aquilo queria dizer?”
Enquanto fumávamos um cigarro foi que eu notei: eu não quero só seu corpo, quero você todo. Era isso. Tudo se resumiu pra mim.
Por algum motivo tive medo, não consegui dizer nem fazer nada, que não encarar o chão e pensar. Se meu pai não tivesse aparecido, acho que eu não teria pego na sua mão, quente e jovem, “vamos dançar?”.
Você dançou, eu dancei, e por um momento o tempo parou, o tempo de um olhar, até que você me puxou pra si e me beijou, senti o olhar do mundo inteiro queimando minha nuca, mas de que isso importa? Eu e você estávamos ali, sem começo e sem fim. Foi aí que você foi se sentar, te olhei, mas continuei.
Eu queria apagar toda a confusão com meu corpo, só a música importava, da qual não lembro mais o nome, mas eu dancei, dancei até meus pés doerem e sangrarem sob as sandálias, foi libertador, Não olhei pra trás, pois não queria tirar o seu gosto dos meus lábios com qualquer insegurança.
Era já hora de ir. Eu não queria ir, mas te abraçar até de manhã, ver o sol nascer e rir tomando café. Chegara a hora de me despedir, eu te abracei, você me beijou, olhei nos teus olhos, “promete que ainda vai falar comigo, por favor”, só obtive o silêncio por resposta e a quase certeza de que todos os meus temores não eram infundados.
Mas sei lá, você é tão imprevisível quanto possível.

Descanso, Santa Catarina.
Doze de fevereiro de 2012.

Reblogged from procrastina
procrastina:

Lenine

E você quer perdê-lo comigo?

procrastina:

Lenine

E você quer perdê-lo comigo?

(via mapatemporario)

Reblogged from supermassivo
supermassivo:

Kill The Lights © 2011 Will Almeida

supermassivo:

Kill The Lights © 2011 Will Almeida

Filosofia eletrônica - A felicidade

 acho que todos tem que passar pra amadurecer,  é difícil, mas têm
 pode ser que sim, mas o mundo fica inevitavelmente menos colorido depois de coisas assim e depois que desbota nao sei se dah pra recuperar a cor
 eu acho que o mundo não tem cor, é a ilusão que faz parecer isso, a gente que faz ele parecer assim
 eu acho que o mundo tem cor, mas ela se esvai aos poucos quando jogamos camadas de cinza em cima pra encobrir nossa propria incapacidadede lidarmos com a dor, a perda e o desapego
 afinal, precisamos de desculpas para não sermos felizes, that’s the human being
 é, mas nesse caso dizer q eh tudo uma ilusao, as cores tbm, nao é um subterfúgio?
 exatamente: ilusões não são algo ruim

 our first phillosofical conversation
 how amusing!   eu acho a ilusao alienante
 “a vida pede ilusão”
 vc pode alcançar algum tipo de felicidade pura e desprovida só se conhecer a verdade ou o mais próximo disso q vc conseguir
 o que é a verdade, afinal de contas?
 a ilusao faz feliz por um tempo, mas nao resiste ao poder do tempo
 aí é só encontrar outra, é insuportável pensar que não tem sentido algum de estarmos aqui, é por isso que pessoas buscam a ilusão da religião, por exemplo, e vivem nela…felizes
 mas as pessoas esquecem que todas nasceram sem proposito, sem destino e que cada uma pode decidir aquilo que vai fazer com o tempo da sua vida e q isso nao eh ilusao, eh descobrir a propria verdade aquilo q te faz felizou menos infeliz, whatever
 é que você tem uma visão diferente da minha, eu acho que só estamos aqui pra reproduzir e morrer, esse lance de “razao” que os seres humanos inventaram, foi aí que essa ilusão toda começou, pq se vc for parar pra pensar, nada disso é tão importante perante a morte e o instinto de sobrevivência, as pessoas abandonam seus valores, o conhecimento, tudo na hora de morrer, acaba.
 sim, biologicamente, nao somos mais do que leos ou tigres
 é, o que fizemos a partir daí, eu chamo de ilusão
 mas sei lah
 pra enganar a naturza
 se desenvolvemos um intelecto q nos permite fazer tanta coisa
 e pensar que somos mais fortes
 pq nao aproveitar e se divertir enquanto a morte nao chega?
 claro, apoiado
 e eh parte dessa diversao que é ser feliz, mas as pessoas nao percebem pq esperam sempre mais e mais de uma vida q em primeiro lugar era pra ser nada, nothing completo
 como diria nietzsche: já que a vida não tem sentido, devemos criar algo a partir desse nada
 comer e reproduzir, a ilusao nao traz felicidade, traz infelicidade, eu acho o Rousseau mto acertado quando ele coloca isso de q eh a sociedade, a razao que incute no ser humano essa necessidade de felicidadee isso gera infelicidade pq felicidade como somos educados a crer que é,  não existe, eh um paradoxo, vc só é feliz a partir do momento que para de perseguir aquilo q te disseram ser necessário pra ser feliz
 mas é cara, e o mercado, o sistema e o comércio não têm feito nada pra amenizar essa necessidade, acharam um jeito de “suprir”é por isso que a civilização hoje está indo de mal a pior
 tenso

Tributo a Caio Fernado Abreu - via MSN

e—- says:

ta fazendo oque linda ?

I say:

nada

e—- says:

eu tava me entupindo de brigadeiro

I say:

good for you

e—- says:

muito

I say:

=]

e—- says:

veio pra k no findi ?

I say:

sim sexta, sábado e domingo

e—- says:

e como foi ?

I say:

perfeito, muito bom e ótimo

e—- says:

pelo jeito beijou muito na boca.

I say:

e pelo jeito você acha que só assim dá pra ser feliz

e—- says:

nossa !!!

I say:

poisé, há outras maneiras de se divertir, acredite, mas, sim, beijei, é a vida. Como diria caio fernando abreu: “eu tenho que comer, eu tenho que dormir, eu tenho que trepar, tenho que sobreviver todo santo dia. “Santo”, é maneira de dizer, é claro…

e—- says:

tem baile aqui no agostine hj

I say:

que bom!=]

e—- says:

tu tem faculdade hoje ?

I say:

teoricamente sim mas vou só pra vadiar

e—— says:

preguiça

I say:

sim

e—- says:

e vai vadiar fazendo oque ?

I say:

nada, ora

sshuahsuhauhsa

e—- says:

rsrsrs

acho que vou ir no baile ver se acho alguem pra transa

I say:

tá falando sério?

e—- says:

to

I say:

nossa

e—- says:

as mulheres com quem eu fiquei nos ultimos tempos não pareciam querer nada sério.

são as mulheres que não querem nada sério

I say:

e você sair pra “procurar alguém pra transar” é realmente uma atitude muito séria da sua parte

e—- says:

por ?

I say:

sei que são só as mulheres, aham, você está demosntrando bem isso, que triste

eu penseii que você não fosse como todo mundo

e—- says:

fosse nunca tinha me ouvido falar assim antes ñ é ?

I say:

é uma pena

e—- says:

consegui chamar sua atenção ?

I say:

é

e—- says:

tem certeza ?

I say:

de um jeito repugnante

e—- says:

consegui?

I say:

mas sim

e—- says:

vc gosta de citar escritores e outros ñ é, antes mesmo vc sitou alguem que fez quase a mesma referencia usando outras palavras tipo ” trepa “

I say:

você conhece caio fernando abreu?

e—- says:

quer dizer que quando ele fala não é repugnante.

I say:

se você conhecesse o contexto da peça, não, pois a resposta da irmã de Vera (a qual pertence aqule trecho) é: Ai que horror Vera, aó por que você tre.. fez amor com ele, não significa que é um homem bom

e—- says:

“Um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda.”

I say:

isso é lindo, é de quem?

e—- says:

achei que vc conhecesse

I say:

não de quem é?

e—- says:

Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink.Caio F. abreu

I say:

sim, já pesquisei, conheço mais as peças, mas os contos também me encantam

e—- says:

pequena, se você me conhecesse saberia que eu não sou uma pessoa que sai exclusivamente pra procurar alguem pra transa, antes de tudo saio pra me divertir o sexo é consequencia.

I say:

mas você falou que ia sair só pra procurar alguém pra transar. Isso não foi uma impressão, foi pura objetividade

e—- says:

foi justamente dito pra chamar sua atenção

I say:

chamaria minha atenção você citando shakespeare

chamaria minha atençao você fazendo poesiachamaria minha atenção você discutindo sobre cinema

chamaria minha atenção você dizendo o quando nietzsche é contraditório

chamaria minha atenção você fazendo várias coisas, mas chamaria a atenção de um jeito bom

e o que você disse foi ofensivo

e—- says:

queria fazer uma comparação entre uma pessoa comum e alguem que vc acha que quando fala esta certo ou o jeito de falar dele é normal mesmo quando ele faz referencias groceiras, mas quando eles fazem essas referencias eu não ouço vc dizer isso

I say:

quem eu admiro, eu digo, escritores, geralmente usam vírgulas e fazem, como você muito bem disse, REFERÊNCIAS, num contexto literário e poético, com um objetivo, não falam por falar, nem pra chamar a atenção.

a arte é subjetividade ou objetividade escancarada, mas com um objetivo

tanto que quando você botou aquelas frases, e eu não sabia que era do caio fernando, mesmo assim achei lindo, posso ver a poesia nas entrelinhas, isso é arte e caso você não tenha conhecimento, eu gosto de arte

e—- says:

é vc tinha razão é ruim falar no msn, pois vc não entendeu o que eu quiz dizer falando daquela maneira e c alguma vez vc tivesse prestado atenção em mim em nossas conversas vc saberia que eu não sou a pessoa que você acabou de fazer um resumo.

I say:

se alguma vez você usasse vírgulas, talvez eu entendesse.

Control. Foto: Peque Antunes

Control. Foto: Peque Antunes

Quem te conhece não esquece jamais. Foto: Peque Antunes

Quem te conhece não esquece jamais. Foto: Peque Antunes

Reblogged from bulevoador
Se um pouquinho de Jesus vive dentro de todos nós… Isso não nos faz Horcruxes de Jesus? Lucas Petry Mueller (@lucasdesde1988)

(Source: bulevoador)